Suco sem caroço e emagrecer sem esforço.
Tirar a mancha sem esfregar, aguar o jardim em jatos giratórios.
Lavar o carro com o mínimo de água, gastando uma fortuna no aparelho.
Jóias raríssimas e exclusivas, vendidas a granel, na TV e na revista.
Você tem 36 funções entre ralar, descascar, desengomar – alimentos e roupas – na sua cozinha. Na área de serviço. Na sala de estar. Na varanda. Até mesmo no banheiro, os aparelhos entram, porque são desmontáveis, alças de borracha, anti-aderente, anti-fungico, anti-derrapante.
E você compra, compra, compra, divide em 25 parcelas, só queria um body-lifting, que redistribui a gordura que você não perdeu com o AB STRETCH, ou com o ab-shaper, mas recebeu 4 maiôs em fibra de resina hiperdurável e lavável.
E toma seu suco sem sementes, e vibra na cadeira que emagrece, e tenta emagrecer, porque, sinceramente...
Sua casa não tem mais espaço para você, que está gordo, de tanto ver polishop, comprar, comprar, e não trabalhar para ver resultado.
miércoles, 20 de enero de 2010
martes, 22 de septiembre de 2009
Paixão até que a morte - dela - os separe
Quando eu morresse, eu queria que a gente já não se amasse mais. Quê? É, assim, tivesse dado tudo o que tinha pra dar, sabe. Que a gente não se gostasse mais como se gosta hoje. Que você estivesse aberto para novas possibilidades e lembrasse de mim com carinho e sem dor. Mas por que você diz isso? Porque é verdade. Eu queria que durante a vida eu e você pudéssemos tirar de nós todo o suco, e que antes de eu ir embora, só restasse o bagaço. Tão romântico para o momento. É, mas é romântico. Eu digo porque eu amo você. E me amo, também. Eu não queria que você sofresse com a impossibilidade da vontade abortada. Eu queria que não houvesse mais vontade, por não haver mais possibilidade. E também, enquanto houvesse possibilidade, houvesse muita vontade. Entendeu? Entendeu o meu amor, a minha paixão? Entendi. Então vem pra cá, dorme comigo.
Vai dar namoro ?
Eu, Roberval, estava ali, no Melhorr do Brasil. Minha chance de encontrar a mina dos meu sonho. Moro em Taboão da Serra, sou auxiliarr de telemarketing, gosto de ouvirr funk, sertanejo e música romântica, sou etlético. É, isso que eu tenho que dizerr pro Márrcio, pra conquistá as mina. Pô, as mina num são diferente das de Taboão, mas eu to aparecendo da TV, meol. Mess se eu num incontro uma aqui, vai que faço sucesso lá em Taboão?
O número noveee, Roberval! Vem pra cá, Roberval.
- a platéia delira –
Devo ta muito bonito mesmo.
Tudo bom, Roberval?
Tudo, Marrcio!
Onde você mora? Taboão da Serra, Márrcio. E trabalha em quê? Sou auxiliarr de telemarketing, aqui no centro. E vem todo dia pra trabalhar? Venho, Márrcio. Uhm, dá uma viradinha, viradinha, viram meninas? Gostaram do Roberval?
- silencio, risadinhas.
Então, Roberval, vamos ver com o cupido eletrônico, ele decide ou elas escolhem?
- cupido eletrônico diz que elas escolhem.
E ai, Nayara, vai dar uma chance pro Roberval?
Hoje não, Márcio.
E aí, Jeanne, gostou do Roberval?
Ele mora onde?
Não é possível, essas mulheres são burra? Eu já falei, Taboão da Serra!
Taboão da Serra, Jeanne!
Muito longe, Márrcio!
E hoje não, Márrcio foi o que Roberval mais ouviu. Até chegar à mais feia. Não a última, que ela era até ajeitadinha. A mais feia. A Janette.
Janette, quer ir conversar com o Roberval?
Quero! – vermelhinha.
Ah, meoool!!! Logo ela?
Sorriso amarelo, Roberval e Janete na lanchonete.
Hihi, eu moro em Itaim Bibi, Roberval.
Aham
Você mora em Taboão da Serra, né?
¬¬
Quais as suas qualidades, Roberval?
Sou um cara bacana, trabalharorr, sincero...
Ih, você é sincero? Márrciooo!!! Me tira daqui!
Que foi, Janete? O Roberval mora muito longe?
Não, Márrcio, ele é sincero. Sinceridade não é qualidade. Manda ele pro toco.
E você é feia!!!
E Janete voltou para Itaim Bibi com toda a pose.
E Roberval, com aquela aura de filho-da-puta.
E nem ele nem ela arrumaram namorado. Só seus 15 minutos de fama, deixando os espectadores do melhor do Brasil pensando que aquele programa é infinito, quando você acha que já viu de tudo, vem a verdade:
mais uma feia sai sem ninguém e sinceridade fere.
O número noveee, Roberval! Vem pra cá, Roberval.
- a platéia delira –
Devo ta muito bonito mesmo.
Tudo bom, Roberval?
Tudo, Marrcio!
Onde você mora? Taboão da Serra, Márrcio. E trabalha em quê? Sou auxiliarr de telemarketing, aqui no centro. E vem todo dia pra trabalhar? Venho, Márrcio. Uhm, dá uma viradinha, viradinha, viram meninas? Gostaram do Roberval?
- silencio, risadinhas.
Então, Roberval, vamos ver com o cupido eletrônico, ele decide ou elas escolhem?
- cupido eletrônico diz que elas escolhem.
E ai, Nayara, vai dar uma chance pro Roberval?
Hoje não, Márcio.
E aí, Jeanne, gostou do Roberval?
Ele mora onde?
Não é possível, essas mulheres são burra? Eu já falei, Taboão da Serra!
Taboão da Serra, Jeanne!
Muito longe, Márrcio!
E hoje não, Márrcio foi o que Roberval mais ouviu. Até chegar à mais feia. Não a última, que ela era até ajeitadinha. A mais feia. A Janette.
Janette, quer ir conversar com o Roberval?
Quero! – vermelhinha.
Ah, meoool!!! Logo ela?
Sorriso amarelo, Roberval e Janete na lanchonete.
Hihi, eu moro em Itaim Bibi, Roberval.
Aham
Você mora em Taboão da Serra, né?
¬¬
Quais as suas qualidades, Roberval?
Sou um cara bacana, trabalharorr, sincero...
Ih, você é sincero? Márrciooo!!! Me tira daqui!
Que foi, Janete? O Roberval mora muito longe?
Não, Márrcio, ele é sincero. Sinceridade não é qualidade. Manda ele pro toco.
E você é feia!!!
E Janete voltou para Itaim Bibi com toda a pose.
E Roberval, com aquela aura de filho-da-puta.
E nem ele nem ela arrumaram namorado. Só seus 15 minutos de fama, deixando os espectadores do melhor do Brasil pensando que aquele programa é infinito, quando você acha que já viu de tudo, vem a verdade:
mais uma feia sai sem ninguém e sinceridade fere.
martes, 15 de septiembre de 2009
A dor de cada um
O menino de seis anos perdeu a sua bola. Era a única bola que ele tinha para brincar, a alegria dos meninos da rua. Ela furou ao bater nos pregos de um muro. O menino sofreu durante muito tempo, por não encontrar nada que lhe divertisse tanto quanto aquele brinquedo. O seu sofrimento era sincero.
Já a mãe do menino, essa sofria porque era infeliz no emprego. Não podia largá-lo, porque seria difícil encontrar outro. E, não era uma sociedade de utopias, mesmo que encontrasse, seria difícil que fosse melhor do que o que ela tinha. E tinha mais duas bocas para sustentar. E daquela situação ela não saia.
A irmã do menino, de 16 anos, essa sofria por uma paixão. Sofria com sinceridade, e chorava, melancólica pelos cantos. Alguns diziam que sofria em demasia, porque o rapaz não prestava. Mas ela o amava e ele não a correspondia. Alguns diziam “tem coisa pior no mundo, menina”, mas ela sofria o sofrimento dela, na intensidade que oscilava no dia a dia, maior, menor ou igual.
Já o pai, esse poderia chorar porque estava doente. E sabia que iria deixar de ver a família, dali a algum tempo. E não havia avisado a ninguém, porque cada um tinha as suas tristezas. Ele podia dizer que a sua tristeza, a da morte, era superior à amargura amorosa, à frustração profissional, ou ainda à falta prática da diversão da bola do caçula. Mas ele sabia que cada um tinha a sua aflição, e que essa não se mede em quantidade. Não adianta dizer que a tristeza de seu caçula era menor que a sua. Cada um tem a sua dor, lida com ela da forma que dá.
E o pai tirou mais essa lição, daqueles dias terminais. Sentiriam falta dele. Mas também sentiriam falta da bola, do emprego, do namorado. Questões que permeavam a vida de cada um com muito mais proximidade do que ele próprio, que apenas observava aquelas dores, pensando, sem dor, na sua própria.
Já a mãe do menino, essa sofria porque era infeliz no emprego. Não podia largá-lo, porque seria difícil encontrar outro. E, não era uma sociedade de utopias, mesmo que encontrasse, seria difícil que fosse melhor do que o que ela tinha. E tinha mais duas bocas para sustentar. E daquela situação ela não saia.
A irmã do menino, de 16 anos, essa sofria por uma paixão. Sofria com sinceridade, e chorava, melancólica pelos cantos. Alguns diziam que sofria em demasia, porque o rapaz não prestava. Mas ela o amava e ele não a correspondia. Alguns diziam “tem coisa pior no mundo, menina”, mas ela sofria o sofrimento dela, na intensidade que oscilava no dia a dia, maior, menor ou igual.
Já o pai, esse poderia chorar porque estava doente. E sabia que iria deixar de ver a família, dali a algum tempo. E não havia avisado a ninguém, porque cada um tinha as suas tristezas. Ele podia dizer que a sua tristeza, a da morte, era superior à amargura amorosa, à frustração profissional, ou ainda à falta prática da diversão da bola do caçula. Mas ele sabia que cada um tinha a sua aflição, e que essa não se mede em quantidade. Não adianta dizer que a tristeza de seu caçula era menor que a sua. Cada um tem a sua dor, lida com ela da forma que dá.
E o pai tirou mais essa lição, daqueles dias terminais. Sentiriam falta dele. Mas também sentiriam falta da bola, do emprego, do namorado. Questões que permeavam a vida de cada um com muito mais proximidade do que ele próprio, que apenas observava aquelas dores, pensando, sem dor, na sua própria.
domingo, 6 de septiembre de 2009
Bolo de noivos
O bolo de noiva pernambucano é tradicionalíssimo. Tem no casamento do pobre ao rico. Feito há muito tempo, sempre presente.
Acontece que na última sexta, o bolo de um casamento foi paradoxal ao tradicionalismo. Um tradicionalismo no meio da modernidade. Ainda bem. Certos tradicionalismos não deveriam perdurar.
A babá de um dos noivos fez outro bolo, que acompanhasse o bolo de noiva da festa. Aliás, não havia noiva, na festa. Só noivos. Dois. De branco. E pétalas de rosa, fogos, entrada com as mães em marcha nupcial. E um beijo, um discurso, e emoção. A diferença eram os noivos, dois. Fora isso, nada de mais. Ou tudo de mais, como queriam eles. E certos estão. Celebrar sua união em um lindo casamento, pioneiros, dando visibilidade ao amor, igual a qualquer outro. Um amor do tipo tradicional, que infelizmente ainda é visto como muito moderno por religiões ou preconceitos.
A antiga babá de um dos noivos fez um bolo diferente para esse casamento não tradicional. Que venham mais bolos de casamentos entre homossexuais e que o diferente vire tradição. Parabéns aos noivos (:
http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2009/09/04/turibio-e-zezinho-o-sim-mais-comentado-da-decada-no-recife-198680.php
Acontece que na última sexta, o bolo de um casamento foi paradoxal ao tradicionalismo. Um tradicionalismo no meio da modernidade. Ainda bem. Certos tradicionalismos não deveriam perdurar.
A babá de um dos noivos fez outro bolo, que acompanhasse o bolo de noiva da festa. Aliás, não havia noiva, na festa. Só noivos. Dois. De branco. E pétalas de rosa, fogos, entrada com as mães em marcha nupcial. E um beijo, um discurso, e emoção. A diferença eram os noivos, dois. Fora isso, nada de mais. Ou tudo de mais, como queriam eles. E certos estão. Celebrar sua união em um lindo casamento, pioneiros, dando visibilidade ao amor, igual a qualquer outro. Um amor do tipo tradicional, que infelizmente ainda é visto como muito moderno por religiões ou preconceitos.
A antiga babá de um dos noivos fez um bolo diferente para esse casamento não tradicional. Que venham mais bolos de casamentos entre homossexuais e que o diferente vire tradição. Parabéns aos noivos (:
http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2009/09/04/turibio-e-zezinho-o-sim-mais-comentado-da-decada-no-recife-198680.php
jueves, 20 de agosto de 2009
Gioconda, o polvo de dois tentáculos
A Gioconda se transformou em um polvo, de oito tentáculos. A Gioconda fazia 8 vezes mais, tudo naquele mar. Ela estava fazendo tudo ao mesmo tempo, apertando a mão de conhecidos, tirando meleca do nariz, acenando olá e adeus, passeando com cachorros-marinhos e segurando um livro, enquanto isso.
A Gioconda não estava muito feliz, a não ser pela meleca do nariz, pelo livro e pelos cachorros-marinhos. Acenar olá e adeus pareciam coisas muito diferentes para se fazer ao mesmo tempo. Ela conhecia muita gente, agora, e apertava a mão de todos, mas não conseguia usar dois tentáculos para abraçar, achando que usar dois para fazer uma coisa é desperdício, quando um só já resolve um problema.
Daí passou um barco. A turbina arrancou seis dos oito tentáculos da Gioconda-do-mar. Gioconda ficou só com o tentáculo do livro e o da meleca. Foi-se tudo embora. Os conhecidos, aterrorizados pelo tentáculo amputado; os adeus e os olas; até os cachorros-marinhos saíram em disparada.
Mas como aquilo não era real, era só um sonho, Gioconda resolveu que, tendo um tentáculo para tirar a meleca do nariz, assoá-lo, e pentear seus cabelos de polvo, estava bem. E a mão do livro, ela poderia usar para dizer adeus e olá, cada um a seu tempo, cada um com seu cuidado.
A Gioconda acordou e viu que ela tinha, mesmo, duas mãos para fazer o que era preciso. E desejou ter apenas dois braços, para fazer uma coisa de cada vez. E foi com eles que ela abraçou o seu cachorro, que nunca fugiu dela. Só do banho, depois do passeio matinal.
A Gioconda não estava muito feliz, a não ser pela meleca do nariz, pelo livro e pelos cachorros-marinhos. Acenar olá e adeus pareciam coisas muito diferentes para se fazer ao mesmo tempo. Ela conhecia muita gente, agora, e apertava a mão de todos, mas não conseguia usar dois tentáculos para abraçar, achando que usar dois para fazer uma coisa é desperdício, quando um só já resolve um problema.
Daí passou um barco. A turbina arrancou seis dos oito tentáculos da Gioconda-do-mar. Gioconda ficou só com o tentáculo do livro e o da meleca. Foi-se tudo embora. Os conhecidos, aterrorizados pelo tentáculo amputado; os adeus e os olas; até os cachorros-marinhos saíram em disparada.
Mas como aquilo não era real, era só um sonho, Gioconda resolveu que, tendo um tentáculo para tirar a meleca do nariz, assoá-lo, e pentear seus cabelos de polvo, estava bem. E a mão do livro, ela poderia usar para dizer adeus e olá, cada um a seu tempo, cada um com seu cuidado.
A Gioconda acordou e viu que ela tinha, mesmo, duas mãos para fazer o que era preciso. E desejou ter apenas dois braços, para fazer uma coisa de cada vez. E foi com eles que ela abraçou o seu cachorro, que nunca fugiu dela. Só do banho, depois do passeio matinal.
jueves, 30 de julio de 2009
A porta da Frente
Não haverá mais sorrisos à porta
A espera, ela encostada, o sorriso recíproco. Tudo isso já se foi.
Agora o que lhes espera é a casa.
Talvez o cão.
O cão sentirá falta dela, talvez mais do que você.
Mas você sentirá falta do sorriso e da espera na porta
Do abraço, da comida e da casa,
Dos cheiros e do sofá.
Sentirá falta dos domingos partilhados, dos dias de semana
Sentirá.
Falta da porta e do sorriso, abertos,
Ao abrir a própria porta, com a própria chave
E bater apenas à sua porta.
A espera, ela encostada, o sorriso recíproco. Tudo isso já se foi.
Agora o que lhes espera é a casa.
Talvez o cão.
O cão sentirá falta dela, talvez mais do que você.
Mas você sentirá falta do sorriso e da espera na porta
Do abraço, da comida e da casa,
Dos cheiros e do sofá.
Sentirá falta dos domingos partilhados, dos dias de semana
Sentirá.
Falta da porta e do sorriso, abertos,
Ao abrir a própria porta, com a própria chave
E bater apenas à sua porta.
Suscribirse a:
Entradas (Atom)