Mostrando entradas con la etiqueta às vezes a prosa é poesia.. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta às vezes a prosa é poesia.. Mostrar todas las entradas

martes, 22 de septiembre de 2009

Paixão até que a morte - dela - os separe

Quando eu morresse, eu queria que a gente já não se amasse mais. Quê? É, assim, tivesse dado tudo o que tinha pra dar, sabe. Que a gente não se gostasse mais como se gosta hoje. Que você estivesse aberto para novas possibilidades e lembrasse de mim com carinho e sem dor. Mas por que você diz isso? Porque é verdade. Eu queria que durante a vida eu e você pudéssemos tirar de nós todo o suco, e que antes de eu ir embora, só restasse o bagaço. Tão romântico para o momento. É, mas é romântico. Eu digo porque eu amo você. E me amo, também. Eu não queria que você sofresse com a impossibilidade da vontade abortada. Eu queria que não houvesse mais vontade, por não haver mais possibilidade. E também, enquanto houvesse possibilidade, houvesse muita vontade. Entendeu? Entendeu o meu amor, a minha paixão? Entendi. Então vem pra cá, dorme comigo.

domingo, 6 de septiembre de 2009

Bolo de noivos

O bolo de noiva pernambucano é tradicionalíssimo. Tem no casamento do pobre ao rico. Feito há muito tempo, sempre presente.

Acontece que na última sexta, o bolo de um casamento foi paradoxal ao tradicionalismo. Um tradicionalismo no meio da modernidade. Ainda bem. Certos tradicionalismos não deveriam perdurar.

A babá de um dos noivos fez outro bolo, que acompanhasse o bolo de noiva da festa. Aliás, não havia noiva, na festa. Só noivos. Dois. De branco. E pétalas de rosa, fogos, entrada com as mães em marcha nupcial. E um beijo, um discurso, e emoção. A diferença eram os noivos, dois. Fora isso, nada de mais. Ou tudo de mais, como queriam eles. E certos estão. Celebrar sua união em um lindo casamento, pioneiros, dando visibilidade ao amor, igual a qualquer outro. Um amor do tipo tradicional, que infelizmente ainda é visto como muito moderno por religiões ou preconceitos.

A antiga babá de um dos noivos fez um bolo diferente para esse casamento não tradicional. Que venham mais bolos de casamentos entre homossexuais e que o diferente vire tradição. Parabéns aos noivos (:

http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2009/09/04/turibio-e-zezinho-o-sim-mais-comentado-da-decada-no-recife-198680.php

sábado, 6 de junio de 2009

Vermelho na xícara

A água estava quente e doce, o sachê ia pintando aquela garapa quente de vermelho. Pintando, pintando, a tinta escorrendo desordenada ali pelas moléculas. A xícara era branca, o que facilitava a visão de um quadro sendo pintado pela física ali mesmo, naquela pia. Como se aquele sache sangrasse sua cor na água quente, porque ela lhe feria. Até que a mãe foi e mexeu. E deixou tudo uniforme, vermelho cor de morango, toda a xícara.

E daí a menina sentiu o perfume, porque até agora não havia respirado. Prendia a respiração como em um filme de suspense dos bons. E sentiu o cheiro de morango, e sorriu. Perguntou se era chá de bala. A mãe respondeu que a bala estava na geladeira. Não havia prestado atenção na pergunta da menina. Ela pediu um chá de bala para ela. A mãe, que tomava o chá sem prestar atenção em nada, disse que buscasse na geladeira a bala.

E a menininha foi buscar a xícara para fazer chá de bala. Pegou o resto de água quente, juntou açúcar, e foi pegar aquelas balas em sachês, os chás. E colocou um sachê dentro da xícara e observou a fumaça que saia, sentiu dessa vez o cheiro, e viu as cores pintando a água. Dessa vez ela descobriu que havia coisa melhor do que bala dentro da despensa, e abriu os seus sentidos para mais uma descoberta da mais tenra idade, feita por ela para ela mesma.

jueves, 5 de febrero de 2009

Carteiro dos milagres

Algumas pessoas atribuem milagres a santos. Milagres miraculosos mesmo, de cura de doenças e congêneres. Eu não acredito em santos ou interseções entre eu e Deus. Talvez seja a influência da minha mãe, talvez seja a minha falta de vergonha perante as autoridades. Talvez, a pressa para que o pedido chegue logo de uma vez e pare com a pouca vergonha da burocracia. Não acredito que o céu vá ter burocracias, que foi uma coisa inventada pelo demo e pela sociedade terrena. Mas não acredito no demo e acho que a sociedade terrena é algo primitivo em certos aspectos, principalmente em sua burocracia.

Então, voltando aos milagres. Acredito nos milagres pequeninos e nos médios, porque eles já me foram feitos. Agora há pouco, estava procurando com mais fé em Deus do que em mim mesma, o cabo USB da câmera digital. E estava naquela, já pensando que hoje, só se eu tirasse uma fiação louca para conseguir passar as fotos e blábláblá, olhei no lugar mais ridículo e encontrei o tal fio. Depois de ter pedido a Deus que fosse brother e me guiasse até o negócio. E daí eu fico pensando que Deus deve existir, porque não é possível que tudo que eu peça ele me dê.

Um dia, resolvi testar o Criador pedindo para que entrasse uma pessoa em minha vida. Não um conhecido. Eu idealizei, Deus apontou e disse, “ta bom pra você?” Uns meses depois eu descobri que Ele havia me dado o que eu havia pedido, detalhe por detalhe. Pensei que Deus deveria existir mesmo. Assim como quando eu estava perdida, perdida mesmo, e rezei para chegar a uma casa onde ia, e a casa apareceu na estrada onde eu estava - só - tarde da noite.

Durante a vida, pedi milagres ou até mesmo simples pedidos que achava que seriam melhores para mim. E Deus, pai babão que é (sem ofensas, Senhor!), me deu. Até que eu descobri que Ele sabia o que era melhor para mim. Não eu. Então, por vezes, quando eu vou pedir algo, eu paro, penso e peço, ajuntando um “se for o que vai me fazer mais feliz”. E Deus me dá, de um jeito ou de outro.
Pode até demorar, mas vem.

Talvez Deus não tenha SEDEX 10 para milagres grandes.
Talvez sejam muitos milagres grandes, para a lotação par avion de correios celestes.
Mas Ele é um grande Carteiro, e nunca erra o endereço ou a encomenda, sejam bilhetes telegráficos ou caixas de presentes celestiais.

lunes, 29 de septiembre de 2008

Texto livre para a Faculdade, sobre um documentário. Meu xodó de inspiracao dos últimos tempos.
=D

O documentário O Olhar Estrangeiro trata de vários filmes estrangeiros tendo como tema o Brasil. Dizer isso seria restritivo, porque, para começar, a maioria dos filmes não retrata o “Brasil”, mas apenas uma parte dele, geograficamente falando. O mais popular Brasil que se trata, é o carioca. Suas praias, suas mulheres, seu samba e seu carnaval. Não se enxergam as outras praias, ou os outros ritmos, tampouco os outros carnavais brasileiros. Isso já seria restringir o estereótipo geográfico e cultural suficientemente, mas não: a maioria dos filmes faz uma leitura estereotipada do brasileiro. Estereótipo bastante conhecido e que já vem de décadas, são citados por Adorno na sua “Dialética do Esclarecimento”, e ajudam a se perceber uma idéia simplista e errada de uma raça ou de uma cultura. “Estereótipos podem ser baseados em alguma realidade, mas não podem se aplicar ao geral”, disse coerentemente Tony Plana, ator américo-cubano entrevistado que também parece sofrer com o estereótipo cedido aos “latinos”, que têm suas origens tão múltiplas, mas se fundem em um mesmo termo e molde, aos olhos estrangeiros.

Alguns dos filmes nem são feitos no Brasil ou têm atores brasileiros. Cria-se uma atmosfera brasileira em estúdios Norte Americanos (normalmente na Flórida) como em “Brenda Star” e “Lambada, a Dança Proibida” e/ou contratam-se atores latino-americanos para encenar, como em “The Burning Season” que tem Raul Julia no papel de Chico “Mendez”, em seu melhor sotaque hispânico. Os atores fizeram esforço para aprimorar seus acentos, mas a primazia pelos atores hollywoodianos apenas reforça aquela dúvida de que a capital do Brasil é Buenos Aires, como se pensa por aí, já que ao português mistura-se o espanhol.

O filme também pergunta a várias pessoas o que vem a suas mentes quando pensam em Brasil. A reposta é bastante semelhante: “carnaval, futebol, mulata, samba”. Alguns ainda dizem que “todo dia tem festa, eles nunca trabalham”. É o que os filmes retratam. Levam em seus títulos palavras e expressões ligadas ao hedonismo como “prazer”, “tudo pode acontecer”, “wonderland”. Parece que no Brasil não se trabalha, estuda, produz. Um dos entrevistados justifica, dizendo não se interessar em ver país igual ao dele, mas sim um exótico, diferente.

O documentário também mostra filmes que retratam um Brasil com mais fidelidade, mas que não foram lançados. Um deles era do ator e diretor Orson Welles, produzido no Brasil, mas cancelado por mudança do presidente da produtora. Outro filme que também não obedeceu ao padrão de clichê, “Le Grabuge”, do diretor Édouard Luntz, acabou não sendo lançado, porque o produtor queria mudar o filme, adicionar os clichês, e Édouard não permitiu. Por conta disso, houve um processo, que o diretor ganhou, mas seu filme não foi lançado e sua carreira cinematográfica ficou abalada.

Filmes que reafirmam os clichês e estereótipos do Brasil, ou do Brasil da imaginação dos estrangeiros, que é um misto de candomblé com carnaval e sexo, apenas contribuem para o preconceito ou assombro. Como quando se admite ser brasileiro, alguém já olha, se for mulher, como prostituta, se for homem, como preguiçoso e incapaz. Mentiras acerca do país e do povo, que limitam a consciência que têm eles, estrangeiros, que temos, alguns de nós e que trazem mais e mais turistas a procura do Brasil de mentira de Hollywood, que fala espanhol.